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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

...das pessoas que mais amei ...


E eis que do fundo do tempo me chega por email esta mensagem:

"Achei o textinho nos meus "escritos". Não tenho um cérebro brilhante, mas a leitura é breve, você sobreviverá a ele. Beijo, myrian


Minha Prima

Minha prima tinha olhos azuis. Fomos amigas desde antes de nos descobrirmos primas. Na escola, inseparáveis até nos separarmos (a gente achava que não sobreviveria). Dividimos muitas vezes o mesmo “pão com molho” da cantina do colégio: o sanduíche completo a gente deixava para as mais abastadas.
Somávamos uma à solidão adolescente da outra.
Se estudávamos, o que quer que fosse eu aprendia com ela – claro, sem o mesmo brilhantismo- mas com semelhante paixão pelas descobertas ou incertezas da vida. Por outra, se éramos nós o objeto do estudo, ela aprendia comigo – claro, sem a mesma convicção- a levantar os atributos que demonstravam que não era feia como se imaginava.
Por bons anos, compartilhamos a escola, nossos familiares, nossas casas, nossas roupas, a comida, o sono, a insônia, nosso cigarro, nossas músicas, nossa experiência, a inexperiência, as maluquices, os sonhos, os ideais, os planos, os complexos, as lágrimas (poucas), os risos (muitos)... Só amigos... não me lembro de compartilharmos. Acho que nos bastávamos, auto-suficientes como éramos.
Então um dia... eu me fiz mãe e ela se fez engenheira. Des-com-par-ti-lha-mos nossas vidas, e faz tanto tempo. Mas sempre que a saudade me põe a espiar pelo espelho embaçado do retrovisor, eu os vejo lá... os olhos azuis da minha prima."

17.10.2010 02h45

myrian