sábado, 6 de abril de 2013

conto de Natal

E quando enfim emergiu do ventre da mãe para a meia noite estrelada, pensou com Seus botões: "não Te digo nada, mas acho que vai doer".

poema antigo

Perderam-se o leme e a bússola.
Os dias andam nublados,
as estrelas confusas.
Vega extinguiu-se.
O pássaro navega em círculos,
asas viúvas sobre a metrópole.

Quem de baixo decifraria,
ó pássaro absurdo,
tua língua estrangeira,
teu canto de véspera
e bodas secretas?

domingo, 10 de março de 2013

a princesa Têca

A criatura mais refinada que conheci. É minha prima por parte de meu pai; segundo minha mãe, herdou de nossa avó paterna, que não conhecemos, a delicadeza de espírito e de gestos.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

o cão maduro


De que vale ao cão da infância
o amor maduro deste cão,
o amor aprendido
no que se pensava ser amor
de tantos e sucessivos cães
nunca de fato amados
como se deve
amar
um cão?

De que matéria
é feito um cão?
É toda nova
e alheia a cão,
ou um quê do antigo cão se recupera
neste que é novo
para também como este
ser amado
como se deve
amar
um cão?

Pode acaso o amor maduro
deste cão,
o amor aprendido
no quase amor
de tantos cães,
pode este amor tardio
dar esquecer
ao cão da infância
o abandono e a solidão?

De que vale ao cão da infância
(e a quem aprende)
o aprender a amar
um cão?