quarta-feira, 11 de setembro de 2013

uma leitura perturbadora


Bernardo Kucinski escolheu a ficção – um romance - para contar a história verídica do “desaparecimento” de sua irmã durante a ditadura militar. Talvez venha daí a força perturbadora dessa narrativa: o que ele quer contar é tão terrível, que o mero documento não dá conta; foi preciso apropriar-se do fingimento da arte para expressar-se plenamente.
O centro de gravidade desse romance, em que o autor finge a fala de toda a gente envolvida no caso, é um pai devastado pelo sumiço kafkiano da filha e pela execração do nome dela por seus pares na Universidade de São Paulo, onde era professora na época do desaparecimento,  pela sociedade em geral e até pela comunidade judaica a que pertencia.
Nunca nenhuma narrativa dos horrores da repressão me assustou tanto.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

quarta-feira, 31 de julho de 2013

marinas impressionistas 1

imagens de Pedro Lopes Villaça

o frescor da ideia recém nascida

Sempre acho que noventa por cento da expressão se perde entre o esboço inicial e a finalização dos meus trabalhos de pintura. Dias atrás finalizei uma cópia de um quadro de Picasso - modéstia à parte, eu faço cópias muito boas - que me agradou bastante; resolvi fazer mais uma, do mesmo quadro, aproveitando uma tela em que havia pintado uma bobagem. Cobri-a grosseiramente com o branco, de modo que se podem vislumbrar um pouco as cores da pintura subjacente, para rabiscar com grafite o quadro de Picasso. Vou finalizar a cópia, mas também neste caso acho que alguma coisa interessante, involuntária  ou inconsciente, vai se perder.