sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
Orides Fontela
Olhando com atenção, daqui, deste lugar no tempo, já dá para adivinhar Orides Fontela.
NOTURNO
Os que nascem de noite
e, entre ossos, vigiam
o fogo
os que olham os astros
e, oprimidos, respiram
em cavernas
os que vão viver apesar
da escuridão e nos olhos
a luz clandestina
acendem
os que não sonham, os que nascem
de noite
não vieram brincar: seu peito
guarda uma só palavra.
Orides Fontela
NOTURNO
Os que nascem de noite
e, entre ossos, vigiam
o fogo
os que olham os astros
e, oprimidos, respiram
em cavernas
os que vão viver apesar
da escuridão e nos olhos
a luz clandestina
acendem
os que não sonham, os que nascem
de noite
não vieram brincar: seu peito
guarda uma só palavra.
Orides Fontela
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
domingo, 4 de janeiro de 2015
sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
Rute
Imagem de Adi Nes
[...] Elimelec, marido de Noemi, morreu; e ela ficou com os filhos, os quais casaram com mulheres moabitas, das quais uma se chamava Orfa, e a outra Rute. Viveram lá dez anos. Morreram ambos, a saber, Maalon e Quelion; e a mulher ficou privada dos dois filhos e do marido.
[...] Saiu pois do lugar da sua peregrinação com as suas duas noras. Indo já no caminho de volta para a terra de Judá, disse para elas: Ide para a casa de vossa mãe, o Senhor use convosco de misericórdia, como vós usastes com os que morreram e comigo. Ele vos vos faça encontrar paz nas casas dos maridos, com que tiverdes a sorte de casar. E beijou-as. E elas em alta voz começaram a chorar e a dizer: Nós iremos contigo para o teu povo. Ela respondeu-lhes: Voltai, minhas filhas, e ide-vos, porque já estou acabada pela velhice, e incapaz de vínculo conjugal. Ainda que eu pudesse conceber esta mesma noite e dar à luz filhos, e se vós quisésseis esperar até que crescessem e chegassem aos anos da puberdade, vos faríeis velhas antes de casardes. Não (continueis), minhas filhas,vos peço, porque a vossa angústia custa-me muito, e a mão do Senhor está levantada contra mim. Elas, levantando a voz, começaram de novo a chorar. Orfa beijou sua sogra e foi-se. Rute porém ficou com sua sogra.
Noemi disse-lhe: Eis que a tua cunhada voltou para o seu povo e para os seus deuses; vai com ela. Rute respondeu: Não insistas comigo para que te deixe e me vá, porque para onde tu fores, irei também eu, e onde quer que morares, morarei eu também. O teu povo será o meu povo e o teu Deus o meu Deus. Na terra que te receber, quando morreres, nessa morrerei eu também e aí terei o meu sepulcro. O Senhor me faça e me acrescente aquilo, se outra coisa que não for a morte me separar de ti.
RUTE, Bíblia Sagrada, Ed. Paulinas, São Paulo, 1982
[...] Elimelec, marido de Noemi, morreu; e ela ficou com os filhos, os quais casaram com mulheres moabitas, das quais uma se chamava Orfa, e a outra Rute. Viveram lá dez anos. Morreram ambos, a saber, Maalon e Quelion; e a mulher ficou privada dos dois filhos e do marido.
[...] Saiu pois do lugar da sua peregrinação com as suas duas noras. Indo já no caminho de volta para a terra de Judá, disse para elas: Ide para a casa de vossa mãe, o Senhor use convosco de misericórdia, como vós usastes com os que morreram e comigo. Ele vos vos faça encontrar paz nas casas dos maridos, com que tiverdes a sorte de casar. E beijou-as. E elas em alta voz começaram a chorar e a dizer: Nós iremos contigo para o teu povo. Ela respondeu-lhes: Voltai, minhas filhas, e ide-vos, porque já estou acabada pela velhice, e incapaz de vínculo conjugal. Ainda que eu pudesse conceber esta mesma noite e dar à luz filhos, e se vós quisésseis esperar até que crescessem e chegassem aos anos da puberdade, vos faríeis velhas antes de casardes. Não (continueis), minhas filhas,vos peço, porque a vossa angústia custa-me muito, e a mão do Senhor está levantada contra mim. Elas, levantando a voz, começaram de novo a chorar. Orfa beijou sua sogra e foi-se. Rute porém ficou com sua sogra.
Noemi disse-lhe: Eis que a tua cunhada voltou para o seu povo e para os seus deuses; vai com ela. Rute respondeu: Não insistas comigo para que te deixe e me vá, porque para onde tu fores, irei também eu, e onde quer que morares, morarei eu também. O teu povo será o meu povo e o teu Deus o meu Deus. Na terra que te receber, quando morreres, nessa morrerei eu também e aí terei o meu sepulcro. O Senhor me faça e me acrescente aquilo, se outra coisa que não for a morte me separar de ti.
RUTE, Bíblia Sagrada, Ed. Paulinas, São Paulo, 1982
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
sobre irmãos
"[...] Octave havia começado justamente por se sentir o protetor do menino que não se chamava ainda Rémo. Quando convidou o jovem Fernand a fazer em sua companhia a primeira viagem, perguntando-lhe onde desejaria ir, o menino respondeu: "Muito longe!". Daquela vez, ele o levou a Hanover. Mas, em todos os domínios, Rémo foi muito longe, e mais longe do que seu irmão mais velho. Antes mesmo de seus estágios em Weimar e em Iena, o estudante transformado em seu anjo da guarda, colocando de lado o próprio trabalho na universidade de Bruxelas, passou longas semanas a revisar o manuscrito do primeiro esforço literário de Octave, obrigando-o a reduzir pela metade as quinhentas páginas nas quais se sentia perdido há anos. Foi forçado a faltar aos seus próprios exames. Esse rapaz de dezessete anos, por uma preocupação de imparcialidade rara em qualquer idade, nada fizera para atenuar a maneira pessoal de externar as ideias que deplorava no irmão.[...] Depois da morte de Rémo , Octave se lembrará de que o jovem, quando eles passeavam juntos por uma vereda escarpada ou à beira de um rio, tomava sempre o lado do vazio, temendo uma distração ou uma vertigem do companheiro. Anotou um sonho, muitas vezes repetido, no qual, exposto a um perigo mortal, era salvo por seu jovem irmão. "Mas está morto!", exclamava admirado. - "Não me fales de mim", respondia caracteristicamente Rémo. "Eu não sei"."*
* Marguerite Yourcenar, "in" Recordações de Família.
* Marguerite Yourcenar, "in" Recordações de Família.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
carta perdida
em
frente à casa de meus pais construiu-se há pouco tempo um prédio de
escritórios. Estive numa dessas salas noutro dia, e, à janela do quarto andar, olhei de um ângulo novo o sobrado em
que nasci e me criei. Surpreendeu-me a visão do telhado, que nunca antes tinha
visto inteiro, escondido que fica por uma platibanda, se o olhamos de baixo. É um belo telhado, caprichoso e
caprichado como são em geral os telhados antigos, mas ainda que fosse banal e
feio teria me proporcionado a mesma sensação: é como se pelo fato de eu nunca
tê-lo visto, de nunca tê-lo contaminado com o meu olhar - o olhar que vai se
modificando com a gente aprender a amar e desamar, sofrer e afligir, afundar e
emergir - como se por isso uma parte de mim, original e fresca, tivesse se
preservado ali, naquele lugar esquecido como um fundo de armário, que
entretanto assistiu a todas as ao transformações da minha vida até os primeiros
anos da juventude.
Conto
esse episódio para dizer que sua carta proporcionou-me sensação idêntica, com
um ingrediente novo: descobrir-me preservada num lugar improvável e
principalmente estranho é descobrir-me existindo fora de mim, não somente numa
pasta vermelha no fundo de um arquivo, mas no fundo de outra pessoa. Pois se é
verdade que seu olhar tocou meu pudor em minha antiga nudez, é verdade também
que minha palavra de então tocou em alguma parte de você que aspira a reconhecer-se em outro e a revelar-se...
Álvares,
meu amigo, ”vamos aos fatos”: quatorze
anos é tempo suficiente para que uma vocação imperfeita, menos que isso, uma
veleidade tão comum na adolescência, se apague em definitivo. Não persisti nos versos, e, sossegue, não foi
pelo “golpe de nem-sequer-menção-honrosa”, que aliás experimentei mais de uma
vez; o que é, é, e não há golpe que possa interromper uma verdadeira carreira.
O que se deu comigo é que passou o meu tempo de versos, ainda que não tenha
passado o da poesia, esse atalho em minha vida
por onde chegam, entre outras coisas amáveis, notícias de ex-burocratas
alucinados na madrugada. Perdoe-me, Álvares, a brincadeira: é que eu sou mesmo
uma mulher, e você certamente concorda comigo que todo romântico se expõe um
pouco à crueldade feminina. A crueldade feminina, acredite-me, é puro artifício
de sobrevivência neste mundo dos homens.
Creio
que não tomarei nenhuma providência legal quanto ao seu deslize de quatorze
anos atrás. Não haveria nisto, como você mesmo notou, nenhuma vantagem prática,
e se o deslize não tivesse acontecido eu jamais teria recebido tão bela carta.
Outrossim,
um abraço do seu/sua
João
Abóbora/Maria
P.S.: me
conte, se quiser, o que faz agora você,
que abandonou a burocracia?
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
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