terça-feira, 13 de outubro de 2015
sábado, 10 de outubro de 2015
sábado, 3 de outubro de 2015
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
terça-feira, 22 de setembro de 2015
sábado, 19 de setembro de 2015
sábado, 4 de abril de 2015
quarta-feira, 1 de abril de 2015
quarta-feira, 11 de março de 2015
Quatro poemas de Paulo Neves
O nevoeiro
A alma acredita
que há uma terra sem mal
para além do nevoeiro,
um vale encantado, improvável,
mas não menos real
que o pulsar e a antimatéria.
E ela põe-se a caminho, à espera
de que o nevoeiro se abra.
E de tanto atravessá-lo
e ser por ela atravessada
descobre enfim sua veste branca
e aceita que ela mesma é o nevoeiro.
Francesco
Não foi virtude
o que ele viu na pobreza
mas o ultimo véu da carne.
E a carne é somente um meio
de abordar o enigma
que há na carne,
de receber os estigmas
que só se leem na carne.
Maborosi
Da última vez que ela o viu,
ele saiu andando,
levava um guarda-chuva.
Seu amor sem esperança
ficou ali parado
como um coração na chuva.
Pasto
Meus olhos na relva
onde as ovelhas pastam.
O sol declina os tons do verde
e a paz do campo me domina
como um cheiro imemorial.
O frio da relva é macio,
dá vontade de ser um focinho
e fechar os olhos.
Eu sei um segredo da terra.
Eu pasto.
Paulo Neves, "in" viagem, espera, Companhia das Letras, SP, 2006
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
Orides Fontela
Olhando com atenção, daqui, deste lugar no tempo, já dá para adivinhar Orides Fontela.
NOTURNO
Os que nascem de noite
e, entre ossos, vigiam
o fogo
os que olham os astros
e, oprimidos, respiram
em cavernas
os que vão viver apesar
da escuridão e nos olhos
a luz clandestina
acendem
os que não sonham, os que nascem
de noite
não vieram brincar: seu peito
guarda uma só palavra.
Orides Fontela
NOTURNO
Os que nascem de noite
e, entre ossos, vigiam
o fogo
os que olham os astros
e, oprimidos, respiram
em cavernas
os que vão viver apesar
da escuridão e nos olhos
a luz clandestina
acendem
os que não sonham, os que nascem
de noite
não vieram brincar: seu peito
guarda uma só palavra.
Orides Fontela
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
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