quarta-feira, 28 de junho de 2017
quinta-feira, 23 de março de 2017
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
quarta-feira, 20 de julho de 2016
o picadinho de minha avó
Meu tio Manoel, irmão mais novo de minha mãe, volta e meia falava de sua vontade de comer outra vez um picadinho de carne inesquecível que minha avó fazia, puxado na farinha de trigo. Eu imaginava que fosse algo parecido com uma receita que minha mãe fazia e de que eu não gostava nada: dourava-se a farinha em óleo, acrescentava-se a carne picada, sempre coxão mole, os temperos - cebola, alho, sal e pimenta - cozinhava-se na pressão. Recentemente, depois de experimentar várias versões do meu próprio picadinho, cheguei a um resultado que, modéstia à parte, agradou muito até a mim mesma, que não gosto desse prato. Uso filé mignon; passo os pedaços picados em farinha de trigo, bato o excesso, douro em pequenas porções em manteiga de muito boa qualidade (só o suficiente para selar), reservo. Refogo cebola ralada também em manteiga, acrescento sal, pimenta do reino, molho inglês e colorau. Acrescento um bom tanto de água (o molho vai engrossar devido à farinha de trigo em que foi selada a carne), deixo ferver bem, corrijo os temperos e trago para a panela a carne reservada. Rapidamente o molho engrossa e a carne pega a temperatura de servir. Deve ser algo parecido com o que minha avó fazia. Quisera ter servido esse prato a meu tio; infelizmente, como com quase tudo na vida, demora-se tanto a aprender que quando chegamos no ponto de poder homenagear os mais velhos que um dia amamos e nos amaram, é muto tarde.
sexta-feira, 18 de março de 2016
domingo, 28 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
sábado, 30 de janeiro de 2016
das epígrafes à espera da obra
"Só reparo nos detalhes! o mundo, enorme, passa-me ao lado"
Marta Duque Vaz, em comentário de postagem minha no facebook, esse lugar útil para muita coisa mas indigno de guardar certos amuletos.
Marta Duque Vaz, em comentário de postagem minha no facebook, esse lugar útil para muita coisa mas indigno de guardar certos amuletos.
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
sábado, 19 de dezembro de 2015
domingo, 15 de novembro de 2015
domingo, 1 de novembro de 2015
cinco poemas de Leila Guenther
PELA JANELA de um carro
em movimento
atiro
um a um
todos os fios de cabelo
de minha cabeça
a viagem é longa
Minha noite se divide
em muitas partes
que não posso reunir
A CHAT WITH CHET
Gosto mais de sua voz
agora
grave, baixa, pesada
pela força de atração
da terra
sem aquele caráter
flutuante de quando você era
um rapar bonito e
perfeito.
Gosto da economia de
suas notas
e da sonoridade que
elas adquiriram
depois que você perdeu
os dentes.
Gosto mais de você sem
dentes
e dos sulcos que surgiram
das profundezas de sua face
depois que a máscara
uniforme de garoto se quebrou.
Queria ter podido
afagar todo esse seu rosto
[verdadeiro
quando você caiu
daquela janela em Amsterdã.
MUDANÇA
Os objetos nas caixas
urdem uma vingança
que se dará sem som
e sem movimento
Os objetos nas caixas
transpiram entre folhas
de jornais
enquanto esperam com
paciência
serem arremessados no
vazio
pela janela do mais
alto andar
por quem um dia há de
arremessar
também
a si mesmo
ASSIM VOANDO
o pássaro mais belo
é o urubu
A LETRA A
Foi pela forma com que
se urdiram as letras
que o amor começou,
eles o comprovam.
Certo estava aquele
texto
a afirmar que no início
era o verbo.
A carne, os cheiros, o
toque, as sensações aguçadas pelas palavras
que pairam sublimes e
altivas acima das lides, da
[destruição do tempo, das crianças
se avolumando
[barulhentas ao redor,
ensinam o que é uma
biblioteca: um ato de amor.
E como ela perdura, ainda que os incendiários de
[Alexandria
continuem à espreita.
O corpo acabará, o som
morrerá na boca, antes de vir
[à luz,
os cachorros, as
árvores e os pássaros perecerão,
os filhos tomarão seus
caminhos como veias
[desligadas das artérias
e até aquela casa, onde
passei os melhores momentos
[de meu exílio,
Se extinguirá um dia.
Mas nela habita uma
carta
para que os outros
vivam.
E a ciência do futuro a
decifrará
assim como um dia
decifrou
Os papiros do Egito.
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