sábado, 5 de novembro de 2022
domingo, 30 de outubro de 2022
"Amar"
"Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?,
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita."
Carlos Drummond de Andrade
sábado, 14 de maio de 2022
"a guerra não tem rosto de mulher"
"Antes, achava que sobreviver ao sofrimento deixava uma pessoa mais livre, que ela pertencia então apenas a si mesma. Que sua própria memória a defendia. Naquele momento estava descobrindo que não, nem sempre. Muitas vezes esse conhecimento, e até um conhecimento superior (que não acontece na vida costumeira), existe separadamente, como uma reserva intangível ou como poeira de ouro em uma mina de várias camadas. É preciso passar muito tempo limpando uma rocha vazia, revirar juntos o vazio do cotidiano, para enfim uma coisa brilhar! Oferecer-nos um presente!"
Svetlana Aleksiévitch, (tradução do russo por Cecília Rosas) em "a guerra não tem rosto de mulher" (pg. 120)
sábado, 29 de janeiro de 2022
quinta-feira, 27 de janeiro de 2022
regresso ao pó
quarta-feira, 26 de janeiro de 2022
quinta-feira, 30 de dezembro de 2021
sexta-feira, 12 de novembro de 2021
terça-feira, 10 de agosto de 2021
sexta-feira, 2 de abril de 2021
Dickens: sempre bom, mesmo quando ruim
Despeçamo-nos do nosso velho amigo num destes momentos de felicidade sem mistura, dos que sempre encontramos alguns na vida que nos alegram a transitória existência. Há na terra sombras negras, mas os clarões brilham com mais força, mercê do contraste. Há homens, semelhantes aos morcegos ou aos mochos, que têm melhores olhos para as trevas que para a luz. A nós que não possuímos esse poder ótico, apraz-nos de preferência lançar o derradeiro olhar de despedida aos companheiros imaginários de muitas horas de isolamento, no instante preciso em que o rápido clarão de felicidade terrena os banha em cheio."
Das páginas finais de "As aventuras de Mr. Pickwuick". Inverti a ordem dos parágrafos, com a licença de Dickens, para ficar mais clara a sua ideia no excerto.
domingo, 28 de fevereiro de 2021
pão de centeio
500g de centeio
meia colher de sopa de sal
1 colher de chá de fermento biológico seco
1 colher de sopa de melado de cana (opcional)
aproximadamente 400 ml água
semente de girassol (opcional)
1 -Faça uma esponja (uma massa mole como a de bolo)com a farinha de trigo, o fermento e um pouco de água; cubra e deixe fermentar por uma hora ou até formarem-se bolhas;
2 - Acrescente à esponja os outros ingredientes exceto a semente de girassol e amasse até formar uma massa homogênea, firme mas grudenta (se necessário coloque mais água), cubra com plástico filme (faça um furinho para deixar escapar o gás da fermentação)
e um pano e deixe fermentar por no mínimo 12 horas ou até dobrar de tamanho em local abrigado de vento (pode ser no forno);
3- Unte uma forma própria para bolo inglês ou panetone; espalhe sementes de girassol no fundo; acomode a massa, ajeitando-a e alisando a superfície com uma colher de metal molhada. Espalhe por cima sementes de girassol; cubra com papel filme e um pano e deixe crescer novamente até dobrar de tamanho;
4- Asse em forno preaquecido em fogo médio por 50 minutos.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2020
sábado, 14 de novembro de 2020
geologia para engenheiros civis
(em memória do professor Saul Hey, uma criatura entusiasmada como um bailarino)
O ovo da ave:
gemaclara
casca
O ovo da Terra:
quartzo
sílex
calcedônia
sábado, 24 de outubro de 2020
Das coisas que me inquietam e alegram
Modéstia às favas, eu tenho a pretensão de saber distinguir o que é arte daquilo que é mera artesania. Eu, por exemplo, que sou capaz de pintar e até de desenhar (que é muito mais difícil do que pintar), não passo de artesã - o que para mim não é pouco, mas não é tudo. O domínio da técnica, por mais acurado que seja, não garante que se faça arte; é a capacidade de expressão, de indução à epifania que faz de alguém um artista. Ainda maior do que minha inveja ao me deparar com um artista é a minha alegria em descobri-lo: eis aí Marcelo Schimaneski, pintor pontagrossense capaz de me iluminar com a luz da minha infância triste.







