terça-feira, 15 de março de 2011

para Vera Lúcia

Devassa?!?

A participação da "Sandy Junior" na propaganda da cerveja me lembra esse pregão em voz monocórdia e sem nehum entusiasmo dos carros que passam por aqui vendendo pamonha (uma gravação que, pasmem, os pamonheiros compram):"olha aí, olha aí, freguesia, venham provar, é uma delícia, é o puro creme do milho verde" (pena que seria preciso ouví-la para compreender como é falsa). Ora, eu acredito que a Sandy possa mesmo ser devassa, porém "à mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta". E convenhamos que ela não tem propriamente o "físico da rôla"* para interpretar uma "devassa". Eu diria que ela está mais para o papel de "putinha doce". Vá lá, uma putinha doce não é coisa que se despreze, mas além de tudo ela faz cara de quem está tendo engulhos só de pensar em beber aquilo, ou fazer "aquilo".

*minha tradução livre para "physique du rôle"

domingo, 13 de março de 2011

"Bach no céu"* (para Manuel Bandeira)



Imagino Johann Sebastian Bach entrando no céu:

- Com licença, São Pedro?
- Entra, João, faz favor. Só não repare a bagunça.


* Alcides Villaça, inédito

terça-feira, 8 de março de 2011

eu que fiz



Sobrou de uma reforma no telhado este retalho de peroba rosa, cheio de cicatrizes do tempo e do uso, impregnado das tintas que recebeu e da paixão de todos que já habitaram esta casa. Agora é um cabideiro.

sábado, 5 de março de 2011

"Sobre a vida depois da morte"*


"[...] Infelizmente o lado mítico do homem encontra-se hoje freqüentemente frustrado. O homem não sabe mais fabular. E com isso perde muito, pois é importante e salutar falar sobre aquilo que o espírito não pode apreender, tal como uma boa história de fantasmas, ao pé de uma lareira e fumando cachimbo.
O que significam "na realidade" os mitos ou as histórias de uma sobrevida, ou qual a realidade que aí se dissimula, certamente não sabemos. Não podemos estabelecer se têm qualquer justificativa além do seu indubitável valor de projeção antropomórfica. É preciso claramente consentir que não existe nenhuma possibilidade de chegar-se a uma certeza nesses assuntos que ultrapassam nossa compreensão.
[...]Ora, o problema da morte deveria constituir o "centro de interesse" essencial para o homem que está envelhecendo, como também a oportunidade de familiarizar-se precisamente com essa possibilidade. Uma inelutável interrogação lhe é colocada e é necessária uma resposta de sua parte. Para esse fim ele deveria dispor de um mito da morte, porque a "razão" só lhe oferece o fosso escuro no qual está prestes a entrar; o mito poderia colocar sob seus olhos outras imagens, imagens auxiliares e enriquecedoras da vida no país dos mortos. Quem acredita nisso ou lhe concede algum crédito tem tanta razão como aquele que não crê. Mas aquele que nega avança para o nada; o outro, o que obedece ao arquétipo, segue os traços da vida até a morte. Certamente um e outro estão na incerteza, mas um vai contra o instinto, enquanto o outro caminha com ele, o que constitui uma diferença e uma vantagem para o segundo."*

*Carl Gustav Jung, "in" Memórias, Sonhos, Reflexões, Ed. Nova Froneira, Rio de Janeiro,2006

quinta-feira, 3 de março de 2011