segunda-feira, 7 de agosto de 2017

"O artista inconfessável"*

"
Fazer o que seja é inútil.
Não fazer nada é inútil.
Mas entre o fazer e o não fazer
mais vale o inútil do fazer.
Mas não, fazer para esquecer
que é inútil:nunca o esquecer.
Mas fazer o inútil sabendo
que ele é inútil e que seu sentido
não será sequer pressentido,
fazer: porque ele é mais difícil
do que não fazer, e dificil-
mente se poderá dizer
com mais desdém, ou então dizer
mais direto ao leitor Ninguém
que o feito o foi para ninguém."

*João Cabral de Melo Neto.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

minha casa, minha casinha, merda para o rei e para a rainha

video
Escala 1:50 (nunca mais), com materiais diversos (papelão, caixa e palito de fósforo, MDF e acetato (nas vidraças). Não é ainda uma Fabiano Faucz, mas devagar se vai ao longe.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

o picadinho de minha avó

Meu tio Manoel, irmão mais novo de minha mãe, volta e meia falava de sua vontade de comer outra vez um picadinho de carne inesquecível que minha avó fazia, puxado na farinha de trigo. Eu imaginava que fosse algo parecido com uma receita que minha mãe fazia e de que eu não gostava nada: dourava-se a farinha em óleo, acrescentava-se a carne picada, sempre coxão mole, os temperos - cebola, alho, sal e pimenta - cozinhava-se na pressão. Recentemente, depois de experimentar várias versões do meu próprio picadinho, cheguei a um resultado que, modéstia à parte, agradou muito até a mim mesma, que não gosto desse prato. Uso filé mignon; passo os pedaços picados em farinha de trigo, bato o excesso, douro em pequenas porções em manteiga de muito boa qualidade (só o suficiente para selar), reservo. Refogo cebola ralada também em manteiga, acrescento sal, pimenta do reino, molho inglês e colorau. Acrescento um bom tanto de água (o molho vai engrossar devido à farinha de trigo em que foi selada a carne), deixo ferver bem, corrijo os temperos e trago para a panela a carne reservada. Rapidamente o molho engrossa  e a carne pega a temperatura de servir. Deve ser algo parecido com o que minha avó fazia. Quisera ter servido esse prato a meu tio; infelizmente, como com quase tudo na vida, demora-se tanto a aprender que quando chegamos no ponto de poder homenagear os mais velhos que um dia amamos e nos amaram, é muto tarde.

sábado, 30 de janeiro de 2016

das epígrafes à espera da obra

"Só reparo nos detalhes! o mundo, enorme, passa-me ao lado"


Marta Duque Vaz, em comentário de postagem minha no facebook, esse lugar útil para muita coisa mas indigno de guardar certos amuletos.