quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Como crescem rápido as crianças!


e ficam logo gordinhas! São dois os filhotes, mas um deles é mais novinho (seu bico pode ser visto na foto) e só aparece bem quando mamãe ou papai chegam com a comida.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

domingo, 27 de dezembro de 2009

Testemunhas de Jeová

Aqui no meu bairro aparece com certa freqüência um pessoal das Testemunhas de Jeová, firmemente imbuído da missão de “explicar” as palavras do livro sagrado aos infiéis de todos os credos e ateus como eu. Em geral uso de um expediente bastante eficaz para me livrar dessas conversas: se desconfio que é alguém deles no portão, apareço meio esbaforida, com um avental muito surrado, um pano branco na cabeça à maneira das polacas da minha terra em outros tempos e outro pano nas mãos, como se as limpasse (na verdade estou sempre meio assim); se a conversa ameaça ir longe vou logo me desculpando, “que estou com as panelas no fogo”. Há dias porém em que amanheço enternecida com todas as criaturas do mundo, ou, como é mais comum, sentindo-me extremamente culpada pelo que fiz, pelo que não fiz, pelo que ainda vou e não vou fazer, de modo que me submeto ao trololó, ou como exercício de boa vontade, ou como penitência pelo meu interminável cordão de pecados.
Estava eu num desses dias de excepcional paciência ouvindo uma conversa comprida no portão, enquanto à minha volta brincava pulandinho o meu pagãozinho mais novo, à época com uns cinco anos de idade e que até então não tinha o menor conhecimento das coisas de religião. De repente o homem inventa de se dirigir ao menino: “Joãozinho, você já reparou quanta flor bonita tem no seu jardim, e de que cores tão variadas? Você sabe me dizer quem foi que fez tudo isso, Joãozinho? Esse meu filho, que desde neném é bastante retórico e aprecia muito uma “cena”, faz uma carinha de quem perscruta os céus e responde: “Bem... seriam... os deuses?”. O homem, que afinal de contas era até boa gente, replica: “ O maior de todos, Joãozinho, você sabe me dizer qual é o maior de todos?” E o menino, saltitante, com o indicador para cima, impaciente para responder: “ Sei, sei, eu sei, é Zeus!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Das tias



Há felizardos que têm/tiveram avós amáveis e amorosas, dessas que acabam por se transfigurar em personagens míticas da infância mítica. Eu não tive essa sorte, mas tive outra: a de muitas tias adoráveis, as de sangue e as que vieram por consórcio com meus tios. Posso dizer que gostei de todas, mas algumas desempenharam em minha vida um papel de conforto e aconchego de que elas talvez nem suspeitem. A tia cujo vulto se vê nesta foto é uma destas, e esta foto, aliás, diz muito da maneira como eu a vejo: uma criatura densa e delicada, que vive tudo discreta e delicadamente, envolta sempre num delicado mistério. Se essa minha tia fosse um objeto, seria uma dessas caixinhas minúsculas de porcelana, de extravagante delicadeza.

A foto é de Zaclis Veiga, do www.operadorfotografico.blogspot.com/

"Balõezinhos [a propósito da necessidade de poesia]

Na feira livre do arrebaldezinho
Um homem loquaz apregoa balõezinhos de cor:
_ "O melhor divertimento para as crianças!"
Em redor dele há um ajuntamento de menininhos pobres,
Fitando com olhos muito redondos os grandes balõezinhos muito [redondos.

No entanto a feira burburinha.
Vão chegando as burguesinhas pobres,
E as criadas das burguesinhas ricas,
E mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza.

Nas bancas de peixe,
Nas barraquinhas de cereais,
Junto às cestas de hortaliças
O tostão é regateado com acrimônia.

Os meninos pobres não vêem as ervilhas tenras,
Os tomatinhos vermelhos,
Nem as frutas,
Nem nada.

Sente-se bem que para eles ali na feira os balõezinhos de
[cor são a única mercadoria útil e
verdadeiramente indispensável.

O vendedor infatigável apregoa:
_"O melhor divertimento para as crianças!"
E em torno do homem loquaz os menininhos pobres fazem
[um círculo inamovível de desejo e espanto."


Manuel Bandeira, In ESTRELA DA VIDA INTEIRA, Liv. José Olímpio Ed., Rio de Janeiro, 1980.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Absolutamente correto

Imagino que eu jamais vá conhecer outro caso tão exemplar de "não racismo" como o de meu filho mais velho. Em criança, quando por algum motivo queria se referir a um negro entre vários brancos, ele dizia, por exemplo, "aquele de roupa assim, boné de tal jeito, fazendo tal gesto, conversando com o fulano, etc.", quando seria mais certeiro se dissesse simplesmente "o negro". Era evidente que não se tratava nem de malícia de má consciência nem de receio do patrulhamento do chatíssimo politicamente correto dos dias de hoje, pois ele era ainda muito pequeno para tais coisas. Aprendi logo que a cor da pele era irrelevante para ele, mais que isso, algo que era absolutamente incapaz de notar. É claro que esse estado de pureza não podia durar para sempre, e, embora ele tenha permanecido sem nenhum preconceito, com o tempo foi aprendendo a perceber a diferença de cor, pelo menos quando não está distraído. Pois um dia eu estava assistindo um filme, não me lembro qual, em que um ator negro, indiscutivelmente negro, fazia um papel qualquer, quando esse meu filho, praticamente adulto, chegou na sala. Depois de um bom tempo observando pensativo a cena, ele me sai com a seguinte pergunta: "Vem cá, esse ator aí não é o mesmo que "faz um negro" naquele filme ... Amistad"?

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009