segunda-feira, 16 de novembro de 2009

"Quatro pegadas

(ao Zé Miguel)

por um amigo não saberia morrer
mas saberia viver
por um amigo

para que sua palavra morta
escalasse ainda o gosto
de minha língua

e por ele degustasse
a sede de nossas
águas

e permitisse pela pupila
certos signos
precisos

e quando prontos ao silêncio
todos dessem
pelo seu

e entre os convivas
deixasse
quatro pegadas"

Alcides Villaça, in "O tempo e outros remorsos", Ed. Ática, São Paulo, 1975

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